ZuZu Angel....assistimos o filme...interpretação sobre o nosso Brasil....ontem e hj....transformar para o amanhã.....
Trabalhar diariamente....Nós nos encontramos...dividimos os pensamentos sobre o TUDO!!!! Abertura para realidade e mudança....vale a pena sempre...observar!Escutem a música....observem o filme...até !!!!
ai vai uma referencia sobre paisagem sonora
Paisagem Sonora e Ecologia Sonora. O conceito de paisagens sonoras e ecologia sonora surgiu no final dos anos 60 com pesquisadores da Simon Fraser University no Canadá. Liderados por Murray Schafer, este grupo de pesquisa formou o World Soudscape Project (WSP) com a finalidade inicial de estudar o meio ambiente sonoro. Mas a filosofia de estar atento ao som natural de ambientes já encontrava adeptos entre alguns músicos do século 20 e está presente na obra de vários compositores contemporâneos. Grupo WSP - M. Schafer, Jean Reed, Bruce Davis, Peter Huse, Howard Broomfield Na década de 50, John Cage, o "filósofo da música" já provocava os ouvintes a escutar os silêncio nas composições e sentir os ruídos espontâneos nos ambientes. Cage utilizava o acaso como parte de suas composições, sem determinar previamente as suas obras e dizia que "a música são os sons a nossa volta", ampliando as concepções e as possibilidades da música. A partir desta época, começaram a surgir criações com intervencionismo na rua e obras de compositores influenciados pela polifonia urbana e os sons da cidade.No final dos anos 60, Murray Shafer escreveu o livro "O Ouvido Pensante", onde aponta que todos os sons fazem parte das possibilidades de abrangência da música, propondo uma "escuta pensante" para tornar os ambientes sonoros menos poluídos e mais agradáveis. Segundo Shafer, o primeiro passo para ser um ouvinte "ecologicamente correto" é "aprender a ouvir a paisagem sonora como uma composição musical".O termo "soundscape" foi criado por Schafer adaptando a palavra "landscape" (paisagens) para um sentido relacionado ao som. No Brasil, a tradução de "soundscape" para "paisagens sonoras" foi feita na versão em português do livro "O Ouvido Pensante", publicado em 1997. Já o termo "ecologia sonora" ou "ecologia acústica" se refere a ciência que estuda os efeitos do ambiente acústico e das paisagens sonoras, com as conseqüências físicas e comportamentais nos seres vivos. Este ideal de aguçar os sentidos da audição para a percepção de sons, que na maioria das vezes passam despercebidos é a base dos conceitos de ecologia e paisagens sonora. As pessoas estão rodeadas de várias freqüências sônicas, mergulhadas em um mar de sons, seja nas cidades (com os ruídos de pessoas conversando, carros, aparelhos eletrônicos e etc.) ou no campo (com os sons da natureza, como por exemplo o canto dos pássaros, vento e água). A poluição sonora das grandes cidades com ruídos em alto volume, apesar de fazer parte da paisagem sonora, impede que as pessoas ouçam as freqüências mais baixas e se torna uma grande inimiga da percepção auditiva por saturar os ouvidos. A poluição sonora da sociedade urbana e industrial muitas vezes "esconde" os sons mais sensíveis dos ambientes. Este incentivo a percepção dos sons ambientes desencadeou o processo criativo de compositores com as obras chamadas de paisagem sonoras. "São composições que não tem um sentido de música, estão mais para paisagens", diz o coordenador do Nics Jônatas Manzolli.Ao encarar a recepção do som como uma experiência sensorial e que cada som tem um significado, uma identificação que remete as sensações guardadas no inconsciente, mudou-se o paradigma da criação musical. Este conceito de paisagens é diferente do processo da música composta nota por nota, para expressar um sentimento do compositor. A paisagem sonora existe no ambiente e pode ser manipulada e modificada.Grupos de Pesquisa No final do ano de 1970 foi criado na universidade Simon Fraser (www.sfu.ca) no Canadá o World Soudscape Project (WSP) que desenvolveu várias pesquisas e atividades criativas para composições de paisagens sonoras. O objetivo do grupo era estudar o meio ambiente sonoro e as sua influência na vida das pessoas, para poder construir novas paisagens agradáveis através do som. O projeto foi coordenado por Murray Schafer e teve a participação dos pesquisadores Bruce Davis, Peter Huse, Barry Truax e Howard Broomfield.. Grupo WSP na Simon Fraser University, em 1973 O WSP motivou músicos, professores e compositores com esta nova visão sobre a escuta musical. Uma das primeiras publicações do grupo foi um estudo sobre o ambiente sonoro no Canadá, chamado "The Vancouver Soudscape". Em 1973, Bruce Davis e Peter Huse atravessaram o Canadá fazendo gravações ambientais. Em 1975, Schafer recolheu sons de cinco vilas na Suécia, Alemanha, Itália, França e Escócia. Este trabalho rendeu mais de 300 fitas gravadas na Europa e no Canadá e o lançamento de dois livros: "European Sound Diary" e "Five Village Soundscapes". Mas é no livro "The Tuning of the World", publicado em 1977, que Schafer define amplamente o conceito de paisagens sonoras. O pesquisador Murray Schafer se dedicou a estudar as paisagens sonoras para a composição musical e se tornou um crítico da poluição sonora da sociedade industrializada.O remanescente do WSP que continua na Simon Fraser University é Barry Truax. Ele faz pesquisas sobre comunicação acústica e composição eletroacústica. Truax é especialista em síntese de música computacional. Com os novos meios de comunicação, da Internet, da eletrônica e o desenvolvimento da tecnologia dos computadores, existe uma nova comunidade de músicos, cientistas e engenheiros que estão trabalhando com novos conceitos de ambientes sonoros. O campo da ecologia sonora também atinge vários setores, multidisciplinarmente, com estudos nas áreas de ciências, geografia, história, tecnologia, entre outras. "A idéia central da ecologia sonora pode trazer benefícios a uma sociedade sob o impacto da tecnologia", afirma Truax. Barry Truax A partir do WSP, outros grupos foram criados para o estudo e a troca de informações sobre os estudos na área de soundsacapes. Em 1993 foi criado o World Forum or Acoustic Ecology (WFAE), que é uma associação internacional com pessoas e organizações afiliadas. Entre os membros da WFAE (www.afae.org.au) estão representantes de várias áreas de pesquisa interessados em estudar os aspectos sociais, culturais e ecológicos do meio ambiente sonoro.Estudos no BrasilSão poucos os pesquisadores brasileiros que se dedicam exclusivamente ao estudo das paisagens sonora e da ecologia sonora. O pesquisador André Luiz Gonçalves de Oliveira, em sua tese de mestrado na Unesp, dedicou vários capítulos para as análises sobre a ciência da ecologia acústica. Em outra tese de mestrado, na PUC de São Paulo, a pesquisadora Fátima Carneiro dos Santos analisa os sons da rua e as suas diferentes possibilidades de percepções, através de gravação feitas em centros urbanos. O pesquisador André Gonçalves de Oliveira é graduado em música e mestre em filosofia na disciplina Ciência Cognitiva e Filosofia da Mente, na qual defendeu a tese na Unesp. Em parte de sua dissertação, ele faz uma análise da abordagem ecológica do reconhecimento de padrões sonoros. Para isso, ele explica as noções dos principais teóricos sobre o assunto e os conceitos de meio ambiente e do meio físico e as recepções sonoras através do aparelho auditivo e do cérebro. "A apresentação da noção de sistema perceptivo é de fundamental importância para o entendimento da explicação ecológica para a tarefa do reconhecimento de padrões sonoros", afirma André Oliveira em sua dissertação. Este conceito do sistema de percepção é diferente da noção de órgão sensorial que recebe passivamente as informações para serem codificadas, mas sim como um resultado de detecção, seleção e identificação das mensagens recebidas do meio ambiente. Desta forma se amplia a noção de "órgão de sentidos" para "sistemas perceptuais". Para o pesquisador, "entender o ouvido como parte de um sistema perceptual faz toda a diferença para o estudo da percepção". Entre outros assuntos da ciência da ecologia sonora, André Oliveira analisou os conceitos centrais para a abordagem ecológica e sobre a aquisição de informações e as atividades do sistema perceptual em ambientes específicos. O pesquisador também se referiu as relações entre os aspectos vindos da abordagem ecológica de reconhecimento de padrões sonoros, aplicados na composição musical e o desenvolvimento de suas técnicas e procedimentos.Já a pesquisadora Fátima Carneiro dos Santos, em sua tese de Comunicação e Semiótica na PUC de São Paulo, analisou a "música urbana", Sua dissertação foi publicada no livro "Por uma Escuta Nômade: a Música dos Sons da Rua", editado pela Educ e a Fapesp. A autora fez uma análise sobre o som gravado em três centros urbanos, que está em um CD que acompanha o livro. A primeira gravação foi feita na avenida Paulista em São Paulo, a segunda no centro de Londrina no Paraná e a última na praça central da cidade de Patos, em Minas Gerais.Após a apresentação destas gravações a pesquisadora apresenta exercícios de escutas, filtrando as ondas sonoras das gravações, ressaltando as diferenças de intensidade e jogos de panorâmicas, transformando em sons estéreos e remixando as faixas. O último exercício apresenta uma outra possibilidade da escuta da paisagem sonora, através de filtros que se baseiam na estrutura formal da voz, aproximando a escuta da paisagem sonora com a escuta da musical tradicional. Em sua pesquisa, Fátima Carneiro faz uma análise histórica dos conceitos de percepção musical e paisagens sonoras citando vários autores e compositores. E sua tese, ela convida os ouvintes a perceber os múltiplos sons das paisagens sonoras urbanas. "O exercício de escutar a paisagem sonora a partir de uma "escuta nômade" possibilita o desenvolvimento de uma escuta que compõe, que inventa: uma escuta que percorre diferentes caminhos, despropositadamente, desvelando a todo o momento escutas possíveis, que escapam àquelas predeterminadas pelo hábito", escreve Fátima.
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agora algumas citações do livro
O Olho interminável
[cinema e pintura]
Jaques Aumont
O quadro é, antes de tudo, limite de um campo, no sentido pleno que o cinema c-nascente não tardaria em conferir a palavra. O quadro centraliza a representação, focaliza-a sobre um bloco de espaço-tempo onde se concentra o imaginário, ele é a reserva desse imaginário.Acessoriamente ( acessoriamente de meu ponto de vista; para os narratólogos de toda espécie,é e o aspecto principal) , ele é o reino da ficção e, aqui, da ficçionalização do real.
Trata-se de vistas móveis, no mais das vezes feitas a partir de um veículo em movimento, e onde o deslocamento do quadro em relação ao campo não funciona como ato enunciativo visível, ao contrário do que sucederá quase sempre no cinema narrativo.
Ponto no espaço, ponto do espaço, ponto móvel e de repente fixado; ponto banal também, a priori qualquer ponto e que qualquer um pode vir ocupar. Se vidro algum separa aquele que filma do filmado, é porque os papéis são intercambiáveis, porque aquele que filma é alguém ‘como-você-e-eu’.
Recentralizar, refocalizar, re-identificar o expectador com seu olhar. O olhar passeia, se perde e se dissolve, em suma, se exerce em um campo.
Profundidade de campo.
Peter Galassi,;uma concepção do mundo como campo interrompido de quadros potenciais, esquadrinhado pelo olhar do artista que o percorre, o explora e repentinamente pára para recortá-lo, “enquadrá-lo”. A máquina fotográfica como encarnação dessa mobilidade enfim encontrada.
O quadro não pára de criar significados, de ler esse livro e de encontrar nele símbolos, divinos ou humanos, pouco importa. Se a natureza existe, existe artisticamente, fora de seu valor alegórico ou simbólico, como espetaculo digno de ser reproduzido ou contemplado, foi a funçao inteira do olhar que mudou.
Função do olhar. Olhar a natureza “tal como ela é”, isso se aprende. Mas, nesse esforço para apreender, a um só tempo o momento que foge e compreendê-lo como momento fugidio e qualquer, o que se constitui é o ver: uma confiança nova dada a visão como instrumento de conhecimento, e por que não de ciência. Aprender olhando, aprender a olhar: é o tema da descoberta do visual por meio da arte, da similitude entre ver e compreender. O tema do conhecimento pelas aparencias, que é o tema do século XIX, e o do cinema.
Febre de realidade. Passagem ao estado febril da visão, sede de aparências visíveis, de puros fenômenos. O olho se mexe no mundo visível;o corpo humano se caracteriza por ser “a um só tempo visível e vidente”, mergulhado em um mundo que não pára de se fazer ver.
É conhecida a remodelação que a estrada de ferro operou não apenas em nossa percepção da geografia, mas, definitivamente, em nossa concepção do espaço e do tempo. Abrindo novos espaços, na escala às vezes de um continente, ele implica também um novo sentimento do tempo, em parte alguma mais legível do que na padronização dos marcos temporais aos quais está presa. Constituição de um novo espaço-tempo, fundado na destruição física do espaço-tempo tradicional, mas também na substituição da moral antiga ligada à natureza por valores novos, o desejo de aceleração, a perda das raízes. Destruição ambivalente, e a estrada de ferro é , no mais das vezes, vista, no ínicio do século XIX, como espécie de garantia técnica do progresso e da harmonia entre as nações (nos Estados Unidos, o trem aparecerá como especificamente americano, porque é essencialmente democrático).
A estrada de ferro, ou antes, as máquinas móveis a ela associadas – o vagão, a locomotiva -, modelaram também o imaginário, e a camêra, em certos aspectos, não está longe da locomotiva: mecânicas metálicas, típicas do imaginário engenheiro do século, e que repousam, aliás, ambas, sobre a transformação de um movimento circular em um movimento longitudinal, de um movimento no mesmo lugar em um deslocomento (nada de peças rotativas nas camêras de vídeo, contemporâneas dos foguetes).
Espectador de massa, o viajante móvel. Sentado, passivo, transportado, o passageiro de trem aprende depressa a olhar desfilar um espetáculo enquadrado, a paisagem atravessada. Trem e cinema transportam o sujeito para a ficção, para o imaginário, para o sonho e também para outro espaço onde as inibições são, parcialmente, sanadas. Sujeito de massa.